Mostrando postagens com marcador quilling. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador quilling. Mostrar todas as postagens

30 junho 2007

Volúpia


À vista ou a prazo, comercial ou doméstico, balas coloridas ou somente as vermelhas, impresso ou digital, mp3 ou wma, com ou sem juros, pré ou pós-pago, novo ou reciclado, colorido ou preto-e-branco, no sol ou à sombra, cara ou coroa, original ou pirata, arrumado ou fora do lugar, nacional ou importado, ele ou ela, aquele ou aquela, vai logo ou espera aí, convite ou decepção, com ou sem gelo, garfo ou colher, prato raso ou prato fundo, massa fina ou massa grossa, com ou sem colarinho, limão ou laranjada, integral ou desnatado, casca branca ou queimadinha, chá gelado ou bem quentinho, açúcar ou adoçante, eu ou nós, dança ou reflexão, tempestade ou céu aberto, escarcéu ou mudez, drama ou comédia, maquiagem ou transparência, curto ou comprido, convívio ou saudade, cremoso ou cintilante, neutro ou com perfume, amanhã ou depois, cotidiano ou absurdo, uniforme ou desigual, par ou ímpar, alma ou matéria, verdade ou ficção, particular ou coleção, cano curto ou cano longo, movimento ou introspecção, ar ou chão, realidade ou imaginação, ponte ou abismo, já ou mais tarde, razão ou coração, hesitação ou entrega, no meu apartamento ou no seu, branco ou tinto, com ou sem couvert, tradição ou novidade, lábios ou silêncio, renda ou algodão, no escuro ou no claro, com gosto de morango ou sem sabor, convencional ou inusitado, aqui ou mais pra lá, língua ou quadril, dentro ou fora, rápido ou impulsivo, espasmo ou gemido, falta de ar ou palpitação, reto ou atalho, tudo ou nada, agora ou nunca, dois.


14 março 2007

Simplesmente arteira


Sempre fui arteira: quando pequena, trocava facilmente mau comportamento por uma caixa de lápis de cor qualquer, pois as cores e texturas sempre me fascinaram. Eu também tinha um monte de hidrográficas coloridas, que dispunha em cima da mesa obedecendo à ordem do arco-íris. Por isso as aulas de Educação Artística, pra mim, eram o céu, onde tudo pode, ilimitado e vasto, papel gigante esperando tinta.

Por outro lado, não sou boa em desenhar à mão livre, embora tenha me aventurado em Edificações no ensino médio, o que me deu ótima noção de desenho, que trouxe de bônus uma caligrafia técnica cujos resquícios deixam charmosa a minha letra de mão. Mas, depois de terminar meu curso de caligrafia artística ano passado — porque não tem nada mais poético do que ser convidado para alguma coisa com uma caligrafia dessas —, minha letra ficou ainda mais múltipla.

É isso o que me encanta ao fazer arte: multiplicar-me em cores, formas, curvas, expressão. Para tanto, apesar do céu inteiro e gigante sempre ali, disposto a ser rabiscado, sempre busco novos horizontes, aprendendo outras técnicas, misturando materiais, mexendo aqui e ali no que de mais artístico há em mim.

Nessa procura plástica, elegi preferências que lembram a infância: giz-de-cera, lápis de cor e papel, muito papel — para escrever e para dobrar, cortar, colar, transformar, de qualquer estampa, tipo, tamanho, espessura. Posso montar um mundo com tirinhas coloridas ou um meigo ursinho panda em origami sorrindo pra tudo.


Então, além de escrever e fotografar (nessa arte eu ainda engatinho...), eu me multiplico em outros talentos artísticos, porque a arte é assim, multifacetada, deixando que passeemos nela de várias maneiras, seja por meio do cinema, da pintura, da música ou, como no meu caso, da literatura, de cartões, ilustrações, álbuns decorados com todo tipo de técnica em papel, quilling, alfabetos diversos em convites de casamento, os próprios convites de casamento com papel trançado, tecido ou seja lá o que for.


Uma de minhas professoras da faculdade costumava dizer que meus textos são plásticos, ou seja, que eu utilizo as palavras de um jeito tal que o leitor é levado a visualizar uma série de imagens, ainda que eu não me tenha valido de sentidos figurados. Esse talvez seja o motivo de eu conseguir transitar tão livremente entre a escrita e a imagem, traduzindo uma com a outra, fundindo as duas em uma arte tão própria, que delineia minha personalidade.

O exercício da arte é isso: saudável para a mente, é o que cultiva nossa criatividade e nos incita a ser mais originais, treinando diariamente não só o olhar para o belo como o poder de concentração, fazendo-nos mais otimistas, detalhistas, precisos e diversos, verdadeiros paradoxos ambulantes, amenizando, assim, o impacto que é viver num planeta de uma cor só, onde imensa parte das pessoas, embora sabiamente coloridas, ainda pensam em preto-e-branco.