13 março 2011

Desilusão

Desilusão,
Desilusão,
Danço eu, dança você,
Na dança da solidão.

(Dança da solidão – Paulinho da Viola)


Hoje passei a tarde com meus afilhados, uma garota esperta de 4 anos e um garotinho engraçado de 2 anos e meio. Eles acham que eu ensino coisas a eles, como desenhar uma joaninha perfeita ou subir no escorregador pelo lado errado. Mas, especialmente hoje, eles me ensinaram muita coisa.

As crianças lidam com a verdade de um jeito muito transparente, o que torna tudo muito fácil. Não se constrangem, apenas falam. E o jeito como falam, o olhar que destinam ao interlocutor são suficientes para decifrar uma intenção genuína de simplesmente dizer o que se passa na cabeça e no coração, sem o objetivo de ofender, enganar, omitir, dissimular. Nelas, é tudo sincero. Por que nascemos certos e, ao crescermos, vamos ficando todos errados? Por que desaprendemos a dizer a verdade? De onde vem o medo de magoar, de ofender, quando a intenção nunca foi essa? É na vida adulta que a gente aprende a ter intenções erradas e passa a distorcer tudo.

A certa altura da tarde, brincamos de esconde-esconde. Eu ainda era pequena na última vez em que me escondi debaixo de uma pia ou me agachei atrás de uma porta. Hoje foi divertido lembrar como é ser criança e revelador observar que, mesmo estando grande, bem à vista dos menores, o olhar deles é carregado de ingenuidade. Eles procuram o óbvio porque não desconfiam de que a vida pode ser diferente do que se mostra. É preto no branco, a verdade, a transparência. Não tem mistério. Eles colocam a cabecinha para dentro de um cômodo e, se não encontram lá o que procuram nessa olhadela, passam para o seguinte. Não têm a malícia de olhar atrás da porta, dentro do armário, debaixo da pia, atrás da cortina. Não sentem a necessidade de desvelar porque não sabem se esconder. Nós, adultos, é que os ensinamos a “serem mais espertos”.

Pena que, ao crescerem, vão descobrir que os adultos também brincam de esconde-esconde. Alguns são tão bons nisso que conseguem esconder-se de si mesmos tão bem a ponto de não se encontrarem mais. E, como na brincadeira infantil, levam consigo aqueles que os procuram. Mas a graça acaba: ninguém quer continuar brincando de encontrar o que não quer ser encontrado. Uma hora, desiste.


À medida que crescemos e vamos perdendo essa saudável maneira de enxergar o mundo, somos levados a nos comportar como todo o resto se comporta, talvez como forma de nos protegermos do que os próprios adultos criaram: tornamo-nos hipócritas em nome de uma sociedade contaminada, que revida com desilusão ou isolamento quando confrontada com o íntegro; deixamos de combater o egoísmo, como fazíamos quando pequenos – “divida com seu irmão”; “agora é a vez do coleguinha brincar com este brinquedo”; calamos mais e falamos menos, dando mais chance a mal-entendidos, mentiras, julgamentos. Esquecemos a verdade porque já não sabemos mais como lidar com ela. E vamos sobrevivendo.

Por outro lado, se tentarmos resgatar os valores da infância, seremos constantemente massacrados. Se dissermos o que sentimos, perdemos o amor (porque ele se assusta), o emprego (porque chefes e colegas de trabalho se sentem ameaçados com tanta sinceridade), a família (que, por mais que se esforce, não entende os sentimentos), o lugar no mundo. Sinceridade demais ofende.

O problema de tornar-se adulto com consciência dos valores íntegros da infância é que isso gera um sofrimento – e um inconformismo – sem tamanho. Esperamos que a vida seja justa como nas histórias infantis, que o bem sempre vença, que os maus sejam punidos, que recebamos recompensa ou sejamos valorizados por termos nos comportado como o esperado, que encontremos o amor e sejamos correspondidos. É tudo uma bobagem, que deve estar em letras miúdas nos livros, em uma daquelas páginas que ninguém lê, porque a gente só descobre crescendo.

Trabalhamos honestamente e temos as casas destruídas pela água de chuvas incessantes ou de ondas anormais. Agimos corretamente no trânsito e presenciamos um milhão de infrações impunes. Pagamos as contas em dia e temos a conta bancária carcomida por impostos avassaladores. Somos eficientes, éticos e corretos no emprego e vemos o colega incompetente, preguiçoso e dissimulado ser promovido, enquanto permanecemos no mesmo lugar (com um pouco de perspicácia, acabamos descobrindo que, na vida corporativa, as promoções estão majoritariamente ligadas a troca de favores, rabo preso, saia curta ou decote profundo). Somos dedicados à pessoa amada e, não raro, desprezados, trocados, traídos, enganados, abandonados ou preteridos – há quem prefira a solidão à nossa companhia.

Não somos preparados na infância para tantos baques, a não ser que entremos no jogo e prefiramos sempre nos esconder a ter a iniciativa de procurar. É mais fácil ficar imóvel, vendo os outros passarem.

Entretanto, ainda hoje, olhando para os meus afilhados buscando cantinhos em branco, para tentar o novo, em folhas já desenhadas por outras crianças, tive a clara dimensão do que é recomeçar, encontrar novo espaço, uma abertura, um motivo para fazer o inédito. As crianças, mesmo sem querer, lidam bem com o passado, que, para elas, é sempre recente. Desenham por cima se preciso for.

Elas olham para a frente, esperando o melhor, ainda que com ingenuidade. Por isso são mais felizes.



Legenda da imagem: Fachada da igreja da Sagrada Família, de Gaudí. Barcelona.

28 fevereiro 2011

Quanto tempo demora?

Daqui a um mês,
quando você voltar,
a Lua vai estar cheia
e no mesmo lugar


Quanto tempo demora um mês,
Biquíni Cavadão.


Acordei com o seu gosto e a lembrança do seu rosto. Mas, daqui a um mês, ela vai ter se dissipado, eu sei. Quando salpicamos os dias de lacuna, o tempo acaba apagando tudo, até as memórias mais resistentes. No começo, é um esforço para não deixar as reminiscências submergirem, trazendo-as à tona toda hora, num resgate incessante. Há quem diga que isso se chama esperança. Eu chamo de teimosia. A gente resiste a ver morrer, quer sempre salvar. Dá um certo desespero, é um derramamento de angústias. Mas tudo o que é sedimento uma hora sucumbe e afunda. Devagar. O inflexível não tem como ser fácil.

Não é fim do mundo. Até porque ele não acaba. Daqui a um mês, a Lua vai continuar no mesmo lugar.

Se eu pudesse escolher outra forma de ser, seria menos em vez de querer sempre ser mais. Eu me contentaria com a Lua imutável, com o tempo pastoso, a falta de gosto, a ausência. Acharia normal. Não me esforçaria para salvar nada. Deixaria passar. Eu me anestesiaria mais. Sonharia mais, realizaria menos. Seria menos esperançosa, mais mitológica, menos humana. Se eu pudesse escolher, nada eu sentiria. Mais simples.

E a saudade em mim agora, quanto tempo será que demora? Sentimentos assim não demoram. Perduram. Daqui a um mês, um ano, uma década.

E a Lua lá, no mesmo lugar.





Os versos destacados foram retirados da letra da música "Quanto tempo demora um mês", cantada por Biquíni Cavadão. Ao contrário deste texto, a música dá outro sentido para os versos. Ouça-a.

05 fevereiro 2011

A falta que você me faz

Serra Negra, SP, numa tarde em que Deus resolveu tomar sopa no céu


Deveria ser lei todo mundo ter avó até o final da vida, porque a gente passa a maior parte dela sentindo falta de uma. E não me refiro aos doces, aos afagos cúmplices, à piscina de afeto azulzinha só de olhar. Sinto falta da sabedoria que só as avós têm. Elas sempre sabem o que fazer bem na hora em que não sabemos. Elas pescam as dúvidas em nossos olhos, sem que tenhamos de pronunciar angústia.

Quando eu era bem pequena, minha avó materna me visitava às quintas, quando a feira fugia do dia da semana para se instalar na rua em barracas bem coloridas. Ela chegava um pouco antes do almoço, carregando uma panela cor de abóbora com tampa preta, onde guardava salsichas apetitosas mergulhadas em molho de tomate caseiro. Prendia a tampa à panela com uma manobra de elástico. Logo atrás vinha uma tigelinha cor de areia de tampa de vidro transparente que deixava à mostra uma farofinha gostosa.

As quintas eram meus dias preferidos porque era quando eu mais tinha avó. Num desses dias, ganhei dela uma lupinha para observar formigas. Até então, eu nunca havia reparado no minúsculo. Essa é outra habilidade das avós: ensinar a gente a ampliar o campo visual.

Foi com a minha avó que aprendi que não se pode gastar com uma mão o que não se tem na outra. Às quintas ela me dava moedas, mas me incentivava a poupá-las em vez de sair desembestada para comprar uma vontade. Quando eu era um pouco maior, mas ainda pequena diante de parâmetros adultos, veio outra lição: o dinheiro se conquista, não se ganha. Eu pintava umas gravuras que achava bonitas e minha avó as comprava de mim com mais centavos. Devia jogá-las fora, hoje eu sei.

Minha avó era severa na educação dos netos. Falava baixo, mas sempre firme. Tinha horror a escândalo, louça e toalha de plástico, xícara de borda grossa, guardanapo de papel. Vestia-se sempre com roupas simples mas de caimento perfeito, era recatada. Embora não tivesse completado o ensino fundamental, teve educação europeia: aprendera boas maneiras como governanta de uma família alemã de cuja fazenda o pai fora administrador. Comigo nunca falou alemão, mas minha mãe afirma que minha avó conhecia muitas palavras dessa língua.

Tinha nome literário ela: Julieta. Tinha um irmão Romeu. Entretanto, embora alfabetizada, minha avó não era de ler histórias em livros. Ela me contava algumas de cabeça. Uma delas era uma parlenda – hoje eu sei o nome – de um caranguejo que havia brigado com um galo e levado uma bicada. Saía por aí pedindo um “pano porque o galo me pinicou” e desenrolavam-se muitas exigências dependentes umas das outras para que o bicho obtivesse o tal pano. Foi a primeira vez em que tive contato com um final não feliz, porque, mediante tanta barganha, o pobre-diabo acabava morrendo. Ao terminar o caso, minha avó ria. Eu não entendia a graça e achava horrível as pessoas terem se recusado a ajudar alguém necessitado por pensarem em se beneficiar disso de alguma forma. Sábia, minha avó. Estava me preparando para o mundo: no fundo somos todos caranguejos implorando por panos para estancar feridas.

Todas essas lembranças, porém, não são suficientes para eu me sentir completa. Minha avó sempre falta, porque tem muita coisa que eu não tive tempo de perguntar a ela e que eu tenho certeza de que ela saberia me responder com o pé nas costas, com toda aquela experiência que o rosto denunciava. Ela me entendia mais do que meus pais porque era mãe ao quadrado.

Deveria ser proibido as avós morrerem no início da adolescência da gente, quando mais precisamos delas. A gente acaba se virando sozinha, é verdade, mas nunca tão bem. E termina arrastando para a vida adulta todas as perguntas que não puderam ser pronunciadas e que manual, guru ou google nenhum respondem.

Penso na minha avó todos os dias, porque ela faz parte de mim, porque foi com ela que aprendi a me portar direito, a zelar por meus pertences, a ser criativa, solidária, responsável, observadora e sensível. É nela que me espelho para continuar uma mulher forte. Ela era dona de si.

Mas hoje, especialmente, eu sinto uma falta gigante da minha avó. Hoje é um daqueles dias sem saída, em que tentamos escalar as paredes mesmo conscientes de sua altura. Nessas situações, dona Julieta não me estenderia uma escada, tenho certeza, mas me ensinaria a construir uma com o que eu tivesse à mão.

Eu olho, olho, olho ao redor. Até enxergo possibilidades. Mas não sei montar com elas uma escada. Continuo perdida, me debatendo com perguntas e mais perguntas me tirando a voz, acumulando na garganta. Perguntas que só minha avó, do alto de sua sabedoria, saberia responder, ainda que sem palavras.

Queria que hoje fosse quinta-feira.

16 janeiro 2011

Prato do dia

Um belo dia você se senta para fazer uma refeição e, quando a termina, percebe que sua vida mudou. Você experimentou algum alimento inédito ao seu paladar, ou recebeu uma ligação reveladora no celular, não tendo resistido à tentação de atendê-la mastigando. Ou, ainda, ao saborear um gosto preferido, teve um estalo acompanhado de uma ideia milionária. Pode ter se lembrado de um desejo de anteontem de mandar flores para uma senhora doente (o que amanhã será retribuído com uma receita divina de bolinhos de chuva) ou decidido mudar de profissão.

A vida pode mudar durante uma refeição aparentemente insignificante, feita num dia normal, com o tempo parcialmente nublado sujeito a pancadas de chuva, mas com um solzinho no final da tarde. Pode mudar logo após você ter escolhido uma salada ou preferido evitar a sobremesa -- ou a indigestão.

Apesar de saber disso, lá no fundinho da consciência a gente pensa que a vida só muda por causa da loteria, de formatura, de um acidente gravíssimo, de uma gravidez descuidada, um tapa na cara, desemprego, morte. Só configura mudança o que é grande, para caber em caminhão ou não caber mais na gente.

Mas o minúsculo muda tanto quanto o gigante. Aqui, ali, hoje, daqui a pouco, de novo, amanhã. A soma do microscópico pode ser uma mudança e tanto. Uma palavrinha mal colocada muda um diálogo. Um instantinho atrasado esfria o prato. Um beijinho inócuo, o namoro. Um buraquinho na blusa muda os planos. Um descontinho, a conta bancária. Um tiquinho de miopia requer novos óculos. Uma moto caída na avenida, novos caminhos. Um megapixel altera toda uma resolução. Uma notinha fora do lugar desafina uma canção. Um centimetrozinho altera o número da calça. Um pouquinho mais de sal estraga a refeição.

É no pequeno que o grande muda: a recorrência de pequenas gentilezas pode reconfigurar toda uma cultura, e a repetição de pequenos deslizes pode destruir toda uma relação.

É no mínimo que tudo muda todos os dias. A gente é que não percebe, porque mastigamos demais, remoendo a falta de gosto, ou engolimos de qualquer jeito, sem saborear a pressa.

Até que, um belo dia, ao sentar-se para fazer uma refeição, a gente tem algum tipo de estalo: sai da catatonia por causa de um amargo na boca ou fica vermelho devido a um sabor apimentado demais, e, finalmente, se permite mudar o cardápio.

O lombo de bacalhau a Santo Ofício, da cervejaria Trindade de Lisboa, mudou meu paladar e virou uma das minhas melhores memórias gastronômicas. Só a descrição do cardápio já dá água na boca: "lombo de bacalhau assado na brasa deitado sobre uma grossa fatia de pão cozido feito pelos nossos irmãos alentejanos, acompanha-o uma comitiva de batatinha miúda cozida com casca e grelos de nossa horta salteados com azeite virgem e alho".

03 setembro 2010

Intervalo

"Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe."


Cansamos os dois.

Um do outro.

Seu jeito infinito de pensar no sem-fim emudeceu minha concisão. Minha forma apressada de antecipação amarrou sua liberdade de passear em probabilidades. E ficamos ambos aprisionados no frio que habita o estômago e na aridez que seca as palavras. Falamos apenas silêncio, tão imenso ele, que abraça um milhão de interpretações. Perdemo-nos ainda mais.

Um do outro.

De você, ficam sentimentos que o coração quer guardar, mas que a razão estrangula, como se ficasse infecunda e raivosa de repente. De mim, ficam a impaciência, a precipitação, o presságio de um futuro que desconheço. Ambos fomos acuados pelo medo. De amar. Um, mais; outro, demais. Ficamos ausentes na própria existência.

Um do outro.

Descansamos os dois.

Cabo da Roca, Portugal

Para Desirée, pela penúltima frase, que semeou o texto.

16 julho 2010

Isto é só

Um senhor em Barcelona, batendo à porta de si mesmo

A gente só tem a gente. No fundo, lá no fundo, essa é a realidade. Qualquer outra interpretação é espera. No outro. Que o outro fale, que o outro perceba, que outro entenda. Não entende. Porque não é a gente. Imagina que entende, mas não enxerga porque os olhos são outros, ainda que da mesma cor.

A gente só tem um: o íntimo ou o espírito, o pensamento ou o sexto sentido. Fala um de cada vez, mas a gente cisma em ensurdecer por dentro e ouvir um outro. O alheio parece mais sábio, tem mais razão. Fala mais alto.

Qualquer boa vontade alheia é lucro. Ou caridade, compaixão, gentileza, consideração. Com um pouco de sorte, amizade; mais sorte ainda – muito mais! –, amor. Mas tudo isso não é da gente, é de quem o tem. Porque a gente, ah, a gente sabe, no fundo, lá no fundo, que não tem ninguém.


P.S.: Escrevi este texto no interminável trânsito paulistano, nesta noite chuvosa de sexta-feira. Parei em uma padaria e tive a sorte de encontrar pão de laranja quentinho. Ao sair, dei de cara com uma obra grande e li na placa do arquiteto o nome da minha melhor amiga-irmã. Isso me sacudiu, sobretudo porque passo ali diariamente e nunca havia visto a tal placa. Talvez, no fundo do no fundo-lá no fundo, a gente tenha alguéns, sim.

10 maio 2010

Bad romance

A Lady Gaga pode ser estranha, over, super, até mega. Mas temos de dar o braço a torcer: ela fala algumas verdades em suas letras que ninguém tem coragem de falar.

Ela descreve bem o que é um bad romance, a estranha liberdade que isso provoca. E, infelizmente, em algum momento da vida, todo mundo experimenta um. Porque amar mal é mais fácil, exige menos comprometimento e nenhuma verdade. A pessoa fica solta numa nuvem de confusão e acha a neblina comum.

É mais instigante amar um cafajeste ou uma vagabunda. Mais emocionante trair. Mais masoquista saber-se traído e continuar com quem foi infiel, alimentando aquela esperança besta de que o outro muda. Dá menos trabalho imaginar a mudança alheia do que promover a própria.

Um romance assim torna confortável a anulação. É cômodo ignorar a si mesmo em vez de ignorar o outro para sempre, mandá-lo passear ou sumir de vista. Ao contrário, aqueles que curtem um relacionamento assim têm o dom da contemplação: assistem a tudo de olhos bem abertos como se fechados estivessem, porque sabem que a dor de ver é maior que a de apenas desconfiar. E, para que fique tudo assim, imutável e quieto, com a mordaça do pensamento calam a intuição. Mentem para si mesmos.

As pessoas amam mal. Amam nas coxas, de qualquer jeito, empurrado, no modo automático, numa espécie de eterno stand by, na tentativa de congelar a situação e não deixá-la ficar ainda pior. Aos poucos, contentam-se cada vez com menos. Não se esforçam nem se respeitam. Fingem. Dissimulam. Mentem. E não sentem remorso.

É. Não sentem.

O beijo de Judas - esculpido na fachada da Catedral da Sagrada Família, de Gaudí
Barcelona - Espanha