15 setembro 2006

Ou oito ou oitenta!

Quebrando um pouco o estilo dos textos que tenho postado aqui, e embora muitos deles reflitam a minha personalidade e dêem indícios da minha natureza, fui desafiada a colocar aqui oito coisas sobre mim. Oito, apesar de curiosamente representar o infinito na numerologia (o formato do número 8 não tem começo nem fim), é bastante limitado para essa tarefa. Preferia que fosse oitenta. Mas trata-se de uma corrente entre blogueiros. Quem me intimou foi meu mentor de blog, o Jedi Tuca, no Fiapo de Jaca, o blog dele. Como sou uma discípula esforçada (e também para dar uma descontraída em meio a tanto texto literário), fiz a lição de casa:

1 - eu livro tudo

Tenho uma relação atávica com os livros. Vício, consumismo, fascinação, não sei. O fato é que sou louca por eles. Pena não serem comestíveis, apesar de eu os devorar. Tenho exemplares que ainda não li, mas, se eu for a uma livraria, compro mais. Passo horas em uma, num sebo ou em bibliotecas. Meus olhos brilham e minha boca saliva só de pensar em tudo que tenho pela frente para ler. Adoro ganhar livros de presente: novo, velho, amarelo, não importa. E, quando os leio, tenho mania de grifar algumas partes a lápis, como se amarrasse as palavras à página, para que elas não fujam.

2 - abre o olho!

Meu relógio biológico cisma em brigar com o despertador toda santa manhã. Enquanto eles duelam, eu sonho. Não nasci para acordar cedo, sou lenta demais de manhã, meu raciocínio não funciona com o cantar do galo (eta bicho mais inconveniente, não?), sou pouco producente até as 9 da manhã e dou meu reino pelo meu travesseiro, meu edredom fofo e a oportunidade de dormir como se deve. Tudo porque nasci num domingo, às vinte para as dez da manhã.

3 - ritual matinal

Nunca saio de casa sem comer, ainda que esteja atrasada. De estômago vazio eu não raciocino mesmo. E me recuso a comer correndo. Aos domingos o ritual demora mais, porque leio o jornal inteiro enquanto como. Todos os dias, tomo café-da-manhã de pijama; uso xícara com pires, embora não tenha nada contra copo ou caneca; como pão puro, que corto em rodelinhas sob o olhar interrogativo do meu pai, e invariavelmente abraço um dos joelhos em cima do assento da cadeira enquanto penso na vida e tomo café. Com leite. “Isso é jeito de sentar?”, meu pai diz para mim, com freqüência, há 31 anos. Ele não aprende... nem eu.

4 - assobio

Falando no meu pai, isso é mania que herdei dele. Minha mãe vive pedindo pra eu parar, porque acha irritante. Mas eu assobio sem perceber, em qualquer lugar. Vira e mexe me pego assobiando pela editora, quando preciso ir a algum outro departamento. E quase sempre esbarro em olhares arregalados, como se eu tivesse tocando trombeta em praça pública para anunciar algum enforcamento. Mas sou frustradíssima por não saber dar aqueles assobios superaltos, com a língua dobrada ou dois dedos nos lábios, para chamar alguém que está do outro lado do mundo...

5 - pingüins na Terra como no céu

Tanto bicho na face da Terra e eu fui escolher justamente esse: o pingüim. Gosto do animal vivo mesmo, queria até ter um em casa, mas nasci num país tropical, fazer o quê? Um dos meus sonhos é ficar no meio de uma colônia de pingüins, de preferência imperadores. Nessa foto aí em cima, no aniversário do meu irmão, eu segurava um balão em forma de pato, mas me lembro perfeitamente: pra mim, aquele dia, aquilo era um pingüim. Quando eu tinha 6 anos, fui dormir na casa da minha avó e pedi para voltar para casa às 6 da manhã porque cismei que havia um pingüim gigante na janela. Isso talvez explique um pouco da minha loucura...

6 - derivados de leite, substantivo comum e concreto

Não é questão de gosto; eu não suporto nada que seja derivado de leite consumido puro. Descobriram o segredo da minha magreza? Não como queijo, leite condensado, ricota, requeijão, margarina, manteiga, leite, iogurte, yakult, creme de leite... É sentir o gosto dessas coisas que meu estômago vira um globo da morte. E com dez motocicletas dentro.

7 - vai caçar palavras, vai!

Sou boa em palavras cruzadas, mas caça-palavras me irrita, e não é porque eu não encontre as benditas. Eu encontro, mas acho um passatempo muito do chato, talvez porque não me faça pensar. E eu adoro pensar, mas em letras. Aquele sudoku é outra coisa que me tira do sério, porque eu sou uma negação com números!

8 - fazendo média...

Deve ser algum resquício de outra encarnação, sei lá, mas eu adoro tudo o que se refere à Idade Média: escrevo com pena, tenho lacre de cera para fechar minhas cartas, gosto de roupas dessa época, de histórias de cavalaria, sou fã de carteirinha do Rei Artur, adoro castelos, luz de velas, ponte levadiça (não faltou “e”, não, é “levadiça” mesmo...), cavalos, pergaminho, reis e rainhas. E se esse período se passar na França ou na Inglaterra, melhor ainda.

E você, o que tem de infinito para numerar até 8?

Pessoas que já fizeram a lição de casa: Gláucia, Ricardo



12 comentários:

Jana disse...

Certeza que eu posso escrever?
Olha que eu coloco, hein?
bjs

Ricardo disse...

Bom, eu não fui convidado, mas vou colocar um "As 8 mais do Portuga!". Aguarde...

Glaucia disse...

Vrigi!
Vou postar as minhas...
Adorei essa foto, acho ela tão fofa! Mas juro que esse papo de balão de pinguim eu não conhecia... Não sabia que essa neurose era tão antiga. rsrsrsrs

Lárimer Daniel disse...

Legal, Kandy. Parece que a melhor forma de se exprimir em 8 dimensões é pelo humor... será? Vou tentar também. A Idéias na Janela continuam corajosas, cheias de vida e inquietação... Parabéns!

Fernanda disse...

Amiga,

Se você não bebe leite, o que toma na xícara com pires acompanhando pão fatiado?! Tinha imaginado um café com leite delicioso...
Amei!!! Fiquei com mais saudades de você ainda... beijocas

Kandy disse...

Fê, eu bebo leite sim, com café. Então, vc imaginou certo. Não suporto é o leite puro ou qualquer derivado dele também puro, entendeu? Bjos!

Patrícia Köhler disse...

Oi, Kandy

Sou namorada do Tuca, seu "mentor" no mundo dos blogs (adorei este termo, hehe!) e leio seus textos há um bom tempo, mas acho que nunca comentei (não repare, eu sou comentatista bissexta de blogs, mesmo naqueles em que acompanho há anos... tsc, tsc, tsc...)...

Adoro seu estilo, seu humor e sua sensiblidade. Me identifico bastante. :-)

Adorei suas oito manias/idiossincrasias/coisas-que-você gosta/whatever...

AMO pingüis (embora meu animal preferido seja, indubitavelmente, o gato), AMO livros, livrarias e sebos (sou capaz de passar horas em algum, sem nem sentir passar o tempo), não consigo nem cogitar a idéia de sair de casa sem tomar café-da-manhã (e quando isso acontece, por algum imprevisto, me sinto péssima, incompleta, como se tivesse saído nua à rua) e adoro palavras-cruzadas, embora, como você, até hoje ache este tal de sudoku um bicho de 70 cabeças e os caça-palavras, uma "diversão" (?) idiota, que já traz tudo mastigado, tirando a graça da descoberta e do raciocínio.

Agora, em relação aos derivados do leite... hum... sou movida, em boa parte, a eles, infelizmente. :S

Idade Média também me atrai em muitos aspectos, mas acho que você é mais aficionada que eu por este período. :-)

Vou tentar me disciplinar e comentar de vez em quando aqui! ;-)

Beijos e até mais!

Tuca disse...

Meus olhos continuam carentes de livros. Há muito tempo que não leio romances. O máximo que tenho dado oportunidade são crônicas reunidas. Tudo que acabe rápido. Jeito meio fast-food. Um dia o encanto se quebra, tenho fé.

Muitas vezes, durmo 8 horas e acordo como se tivesse dormido apenas umas 3 horas. Outras, durmo 3 horas, e acordo como se tivesse dormido 8 horas. Corerência não é o forte de meu relógio biológico...

Também não sei assobiar com os dedos. Uma das decepções da vida.

Quanto aos pingüins, é pena que eles estejam em desvantagem nesses tempos de efeito estufa. Uma pena mesmo. Pena quente.

Quanto ao leite, acho que fui bezerro em outra encarnação, se é que isso existe mesmo.

Eu sabia que você se daria muito bem fazendo essa "lição de casa". Sorte de seus leitores. Desenvolveu bem o tema, como sempre. Com humor elegante. Maravilha!

Beijos

clei sgarbi disse...

Filha...gostei da sinceridade....
Como professora, eu daria nota dez à sua lição de casa.
Continuo achando que vc. deveria editar um livro de crônicas, exatamente com o título:
Idéias na janela.
Mamy

Bia Nada Zen disse...

Oi, Kandy!
Gosto muito de tudo o que você escreve e fotografa!
Você sente as coisas profundamente, como eu.
Os "sensíveis" têm os privilégios das sensações excêntricas, amplas. E dos choros desvairados também...
Bela e terrível sina...

Bia

Andreia disse...

Kandy:
Não sabia do leite condensado. Também não suporto leite puro (argh...), mas um leite condensado num bolinho... hummmmm... rsrsrs

Leo disse...

Kandy,

Olá, minha linda!

Mais uma vez, pude rir com o seu blog.

Na verdade, foi num dia dessa semana que eu li, mas a janela para inserir o comentário estava demorando demais para abrir e eu desisti.

Vou pensar nas minhas 8 coisas e depois te conto!

Um beijo,

Leo