20 junho 2006

Cobras e lagartos


Uma jaracaca se encontra com uma cascavel no vestiário da academia e abrem a matraca:
— Ana Maria do céu, você sabia que a perua da Cida, que foi operada do estômago, fica comendo biscoito de polvilho a tarde inteira? Não tenho nada a ver com o peixe, mas vê se pode?!
— Também, né, Rosiane, queria o quê? Uma vez baleia, para sempre hipopótamo, uai! A fome de leão não passa assim, de uma hora pra outra... Pega leve, né? Tudo bem que ela tem estômago de avestruz, mas ainda precisa aprender a comer como passarinho...
— Pombas! Que absurdo! Gastar tanto dinheiro com essa operação! 35 mil reais, ela te falou? Podia dar esse dinheiro era pra mim!
— Agora fiquei com a pulga atrás da orelha, Rosi, porque ela tinha me dito que gastou só 20 mil...
— Aninha, longe de mim colocar minhoca na sua cabeça, mas você não acha que a Cida mentiu, não? Vai ver nem lavou a égua quando se separou do marido como contou pra gente, aquele cachorro, sem-vergonha!
— Um galinha, isso sim! Onde já se viu trair a Cida arrastando a asa praquela piranha da Vanda?!
— Ai, como homem é besta, né? Olha só que burro! Agora a Cida taí, toda gatona, e o cavalo do ex dela, é, porque ele sempre foi um grosso, né, afogando o ganso com umazinha que logo, logo cansa dele... até porque, segundo a Cida, ele não dá no couro, né?!
— Macacos me mordam se for mentira, Rosi, mas a Cida se livrou foi de um belo de um elefante branco, isso sim! Aquele ex dela é um imprestável. Quando ela conheceu ele, ele era um bicho-do-mato, superanti-social. Depois, colocou as asinhas de fora... Onde ela foi amarrar o burrinho, né? Empacou na vida com aquele ser! Deus me livre! Ela é que trabalhava feito camelo naquela casa, cantava de galo e tudo, e ele lá, naquele passo de tartaruga, aquele bicho-preguiça com olhar de peixe morto, ou dormindo feito urso ou borboletando pra lá e pra cá feito barata tonta...
— Pera lá! Borboletando, não! O cara é cabra macho, Ana, pode falar o que quiser dele, mas borboletando é demais! É praticamente um garanhão pra ter conseguido a Vanda!
— Ihhhh, tá defendendo muito aquele espírito de porco! A Vanda fica com qualquer um, Rosi! Fora que ela levou gato por lebre, porque tá achando que ele é um tigrão! Você tá me saindo uma amiga-da-onça, isso sim!
— Ai, relaxa, Ana, foi só um comentário... Ele é gatão, vai? Forte como um touro...
— Quem diria, hein, Rosi? Uma loba na pele de um cordeirinho...
— Ah! O outro é que trai e eu é que pago o pato, é? Pode ir tirando o cavalinho da chuva, minha amiga, não precisa dar patada, não! Tudo bem, a Cida teve razão de sobra pra ficar uma fera com ele e mandar aquela topeira ir pentear macaco!
— Também não exagera, né, Rosi? O cara pode ser qualquer coisa, menos topeira... Tá mais pra raposa... Raposa velha, mas raposa... Aquilo é cobra criada, meu bem!
— Isso, acertou na mosca, falou certo! A Cida virou um bicho quando soube da Vanda... Também, pagou aquele mico no supermercado quando encontrou a Vera, que fala feito um papagaio e que contou que tinha visto o Paulo com a Vanda... A Cida, coitadinha, ouviu o galo cantar sem saber onde... aí, botou detetive e tudo atrás do traidor! Abelhuda essa Vera, né? O que ela tem a ver com o pato?
— É verdade... Puxa, a Cida virou uma onça! Mandou aquele animal ir caçar sapo! Eles já viviam como cão e gato mesmo! Primeiro, o infeliz disse que era tudo intriga. Tava era mentindo pra burro! A Cida ficou uma arara! Perguntou se ele era um homem ou um rato, porque, se fosse homem, tinha de assumir o que faz! Foi um barraco, nem quero lembrar! Aquela lá dá um boi pra não entrar numa briga mas uma boiada pra não sair! Pegou o touro pelos chifres!
— Você quer dizer, à unha, né? Porque chifre tinha ela! Mas ele acabou confessando, aquela zebra! Depois, chegou a dar escândalo na porta, bêbado feito um gambá, pedindo pra voltar... Até chorar de arrependimento ele chorou, acredita?
— Lágrimas de crocodilo, isso sim! Falso! Bem feito! Caiu do cavalo!
— Tudo bem que a Cida ficou de bode um tempão, você lembra?
— É, ficou, mas deu a volta por cima, minha filha, e olha só no que deu, matou dois coelhos com uma cajadada só: se livrou da anta do marido e ainda vai ficar magra! Tá sozinha mas uma pantera! É, quem não tem cão caça com gato mesmo... Agora a gente vai ter de engolir esse sapo: a perua-ex-hipopótamo já confessou que vai fazer mais não sei quantas plásticas pra dar um tapa geral...
— Comendo biscoito de polvilho daquele jeito?! Nem que a vaca tussa!


10 comentários:

Janinha disse...

Pior que existe gente fútil assim mesmo, né, Kandy?
beijinho...

Nata. disse...

Elas falam mais do que papagaio. Huahauhauahuhaa.
Mudando de assunto um pouquinho. Você viu a roupa da Ana Maria? Parece a roupa da minh avó...

GLAUCO disse...

G E N I A L!!!!!!!!!!!!!!!!

Inteligentíssimo e divertido!

GLAUCO disse...

(Aliás, isso me faz pensar que logo veremos uma moça de SP escrevendo no lugar de Luis Fernando Verissimo...)

FÊ disse...

Ei Kan...ficou ooooootimo!!!rsrsrs
Tô com saudades da academia viu!
beijos

Fernanda disse...

AAAAAAAAAA-MEI!
Macacos me mordam, mas essa Kandy é demais!

Du disse...

Kan!!!!!!

Adorei!!!

Muito bom....

Que memória de elefante em!!!! rsrsrs

Agora é só esperar a publicação do seu livro né?

Bjinhus

Fabiano disse...

Oi Kandy...

Legal a diversidade da sua janela, mas posso ser sincero: achei bicho demais para uma paisagem só.

Mas não liga não, de vez em quando me dá essa ranzinzice de rinoceronte!

Abraços,

Fabiano

Anônimo disse...

Filha...hoje entrei no seu blog e li uma porção de histórias...Foi de "batelada"! Adorei todas...
Veja só: uma menina perguntadeira, que continua perguntadeira até hoje(ainda bem que seu pai e eu somos bem informados, se não...teríamos problemas...);uma história do tio Carlos que é o próprio, bem humorado, divertido...aliás, sempre foi assim, desde que o conheço; o vovô...ficaria orgulhoso por vc. ser sgarbi antes de saraiva(ele sempre deu muita importância ao sobrenome) e feliz por um descendente ter herdado a "veia fotográfica" da família; uma curiosidade sobre sua viagem a Portugal que eu desconhecia (vc. não me contou esse pedaço!) e por fim uma "bicharada" divertida...faz bem o gênero de quem visitou o Zoológico muuuuuuitas vezes!
Parabéns, filha...Vc. está me saindo uma escritora de primeira...
Que tal publicar um livro de crônicas? (De tanto bater na mesma tecla...)
Mil beijos
Mamy

Anônimo disse...

Kandy, vi só hoje...
A briga do casal deu lugar às fofoqueiras, né?
Ficou muito legal.

Andreia